sábado, 5 de dezembro de 2009
Mas um dia o assalariado,
começou a ter voz
ele entrou para a política começou a dizer não
ao invés de só dizer sim
com medo do patrão.
começou a dizer não para o achatamento salarial
para os caprichos do patrão
afinal o patrão dependia dele
ah! Coitado do patrão
Que seria do engenheiro
se não fosse ele, o pião
quem custearia o caviar
o uisque, os ternos, o combustível do carrão
se não fosse a ajuda das suas rudes mãos
os seus cálculos inacabados
pois da Matemática, só conhecia a conta do traçado
o peão virou reivindicador
da sua boca saía como se fosse uma poesia
queremô reivindicação!
o peão falava e os outros batiam palmas
como se dissessem obrigado pela reivindicação
o patrão acuado sentiu-se um pouco culpado resolveu fazer propostas
dar para o peão tudo de bão
casa, carrão, muié
mas o operário esbravejava e
gritava trepado no andaime
queremô reivindicação!
o operário era a voz no meio da multidão
os outros colegas pião
batiam palmas e repetiam
queremô reivindicação!
queremô reivindicação!
o operário sabia que tinha valor, que em cada tijolo da cidade
havia o toque das suas mãos
do operário em construção
prenderam o operário pião
afinal sua poesia só tinha uma nota só
e isso irritava o patrão
bateram no operário pião
o operário virou fujão
mas não deixou de recitar sua poesia
para os outros operários fujões
reivindicação! Diziam eles
era o ponto alto da aclamação
o operário cresceu, desceu do andaime
subiu as escadas
alcançou topos , antes nunca alcançados
por um operário da construção
hoje o operário virou Vossa Excelência
e o patrão , ah! Coitado do patrão
que hoje tem que obedecer as ordens
do que antes era o operário da construção
hoje na rampa do palnalto
retrato grande na entrada
pessoas se curvam
e um grito do povo ecoa na garganta
para o ex operário em construção
Queremô reivindicação!
E isso Sua Excelência.
Queremos reivindicação!
todas as classes dos mais
aos menos privilegiados e vice versa
Queremos salários dignos, andar de cabeça erguida
sem nome sujo no SPC e Serasa
contas atrasadas do mercado ou outro tipo qualquer
meus salários estão atrasados e agora o que fazer
desistir, parar de lutar
Não! Queremos reivindicação!
O operário em construção( Vinicius de Moraes)
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/87332/
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Por: denise costa esteves da fonseca
A história de Pepita Jiménez e D.Luis se passa em Andalucía. D.Luis um jovem de 20 anos que aspira ao sacerdócio, mas quando conhece Pepita se encanta e fica apaixonado por ela.
Pepita embora seja jovem, é viúva. Casou-se com um tio já idoso e após três anos de comunhão ele morre, deixando Pepita rica e bela.
A jovem se entrega a uma vida religiosa e reforça isso com uma amizade muito sincera com o padre da cidade.
Pepita têm muitos pretendentes, porém diz não a todos eles. Quando conhece o jovem aspirante a sacerdote, a jovem viúva também sente o coração balançar, mas este amor está condenado à morte por causa da vocação do jovem, cujo pai é um dos pretendentes da viúva Pepita. D. Pedro, pai de D.Luis, é apaixonado por Pepita e sonha casar-se com ela.
O jovem está passando as férias na casa de seu pai e escreve constantemente para seu D. Deán, seu mentor espiritual, que se encontra no seminário. O teor das cartas é o dia a dia na fazenda com seu pai, o amor por Pepita, os passeios etc.
Em suas cartas D. Luis também ao seu tio que interceda por ele para que não caia em tentação. Por mais que lute contra seus sentimentos D.Luis vê em Pepita o exemplo de mulher ideal, tudo isto faz com que ele tenha uma forte crise existencial, não sabe o que fazer, pensa em fugir da cidade e voltar ao seminário. Pede ao seu tio que interceda junto ao seu pai para que este o deixe ir embora, porém D.Pedro não aceita a sua partida e a adia o quanto pode.
O tempo passa e o amor de Pepita e D.Luis aumenta cada dia, Pepita como amiga do vigário da cidade pede a este conselhos no que é criticada duramente. Dom Luis continua a escrever ao seu tio D. Deán, e diz que quer voltar ao seminário antes que ele não consiga mais vencer a tentação. Como foi criado no seminário com seu tio, D. Luis não sabe andar a cavalo e isto lhe causa constrangimentos. Um dia ao visitar as hortas de Pepita junto com seu pai, seu primo Currito, o vigário e uma tia idosa. D.Luis é escarnecido por Currito, todos vão a cavalo, exceto a tia, o vigário e D.Luis. E este fica muito bravo consigo mesmo, mas seu pai trata de resolver a situação ensinando-o a andar no animal
O amor de Pepita e D.Luis aumenta a cada dia e o jovem já não consegue disfarçar seus sentimentos e toma a atitude de ir embora para sempre daquele lugar entregar-se aos seus estudos e rezas esquecendo-se daquele amor, que para ele é uma maldição em sua vida.
Nisto Antoñona, aliada de Pepita resolve interceder na vida de sua ama que está muito doente e vai a procura de D.Luis e lhe diz que, antes de ir embora que ele vá até sua ama e dê a ela satisfações e lhe explique que não a está trocando por coisa vil, mas pelo amor de Deus e que suas convicções quanto ao sacerdócio são sólidas e que nada poderá abalar.Talvez desta forma ela concorde em esquecê-lo , reaja a enfermidade e a tristeza que lhe abateu.
Após relutar, D Luis concorda e vai ao encontro de Pepita, a encontra triste e muito abatida, conversam e a princípio ele busca todas as soluções possíveis para negar o amor contido em seu coração. Se negam ao amor por causa da vocação pensam estar ofendendo à Deus, se negam pelo que o povo irá dizer acerca dos dois, principalmente D.Luis que é um seminarista e por fim pensam na inimizade entre pai e filho que amam a mesma mulher.
Após várias horas de conversa e lágrimas, chegam a conclusão de que não podem viver separados. D.Luis decide tomar a decisão de enfrentar a situação e a primeira coisa a fazer é contar para seu pai, que reage de forma surpreendente, recebendo com alegria o romance do filho com Pepita. Seu pai já sabia de tudo há alguns meses através das cartas enviadas por seu irmão D.Deán
D. Pedro sabia de tudo, inclusive de seu duelo com o conde Genazahar, que ofendera a honra de Pepita com palavras, a verdade é que para o pai de Luis foi uma alegria, pois ele não concordava no fato de seu filho ser padre. Talvez a idéia de casar-se com Pepita partira do fato de que não teria herdeiros, mas relembra que com a chegada do filho a jovem viúva abandona o luto e passa a se vestir de maneira mais alegre, confessa que por um momento pensou ser ele o motivo de tão grande mudança. D. Luis larga a batina de vez e se casa com Pepita Jiménez, o padre amigo da família falece em virtude da avançada idade, o que deixa Luis bastante entristecido, mas isso logo é superado com a abnegação de Pepita. Os dois tem um filho, deixando D. Pedro muito feliz, o casal segue a vida buscando sempre em Deus o estímulo, o conforto, a tranqüilidade para superarem todos as situações opostas;Tornam-se um exemplo em Andalucía de respeito, amor e obediência à Deus e reconhecem que o amor de ambos não é uma queda, mas começo de uma grande mudança na história de suas vidas.
Resumo do livro" Vida Nova" Dante Alighieri.
Por: denise costa esteves da fonseca
Vida nova é uma produção literária que reformula a maneira de escrever Dante rompe com o estilo provençal e institui uma nova forma de escrever, uma nova maneira de fazer poesia, misturando-a com a prosa sem contudo deixar o texto solto. Dante faz de sua obra um texto orgânico, totalmente amarrado, cada parte dependente da outra e esta maneira de escrever de Dante exime qualquer característica de “Vida Nova” com o “Cancioneiro”. Dante fala do amor por Beatriz como algo inatingível que só poderá concretizar no mundo espiritual, através do amor e pelo amor. Dante nutre por Beatriz um amor sublime, totalmente espiritual que faz com que o autor após a morte de sua amada tenha forças para continuar vivendo e a partir daí muda completamente a sua maneira de escrever.
Dante após escrever “Vida nova” não só rompeu com o estilo provençal, com a tradição, enfim com toda a antiguidade clássica, podemos constatar isto no capítulo XXV, onde ele critica os oradores, a tradição lírica latina e o estilo provençal. Dante deixou marcas claras para outras fases literárias vindouras como o Renascimento, que tem como características a exaltação da mulher amada, o amor pelo amo, ultrapassando os limites da morte.
Beatriz para Dante é a própria simbologia do amor, amor cristalino, divinal e por isto ele a exalta, escreve que não pode compará-la com outra mulher, a chama de beatitude nobilíssima, fazendo referência a algo puro nobre que não se pode comparar. Dante não vê Beatriz como uma mulher a qual se pode tocar. “Vida nova” nos remete três idéias importantes em relação ao amor: memória, morte e segredo.
Os gregos para não caírem no esquecimento morriam lutando, Dante inovou e nos deixou como memória sua obra “Vida nova”. Morte, uma idéia de paraíso, religiosidade, pois só através da morte temos contato com Deus. Dante liga o amor à morte, representando desta forma uma elevação espiritual, um caminho para a vida eterna.
O segredo nos remete aos trovadores das cantigas de amor que não revelavam o nome da mulher amada. Ao contrário de Dante, eles enfraqueciam por não ver a mulher amada, por não poder nem citar o seu nome. Dante não cita o nome de Beatriz pois a tem como algo sublime e o fato de não vê-la por causa da morte, o torna mais forte, o faz dar uma guinada na sua vida e começar uma nova vida.
Dante inaugura o posimetrum, mistura da prosa com a poesia, explicando a cada final dos sonetos e baladas, os versos, a quem fala e de quem fala.
Uma outra característica na obra de Dante é o uso do número nove e seus múltiplos, uma referencia à idade Beatriz e Dante quando conheceram-se, dezoito anos de idade de Dante quando reencontrou Beatriz, nova significa os círculos que são formados em torno dos sete planetas, o céu cristalino, o último círculo da matéria. O número três significa a Santíssima Trindade a qual Dante remete Beatriz, Dante escreveu “Vida Nova” durante nove anos, antes e depois da morte de Beatriz.
No final do livro, Dante esgota as palavras a Beatriz e se propões não falar mais dela enquanto não tivesse um discurso novo que pudesse continuar exaltando aquela mulher. Pede a Deus que possa viver muitos anos para que continue falando para Beatriz coisas que nunca outra ouviu. Dante recomeça a exaltação a Beatriz em “Divina Comédia”, sua próxima obra.
Obs. Dante se sente vil quando após a morte de Beatriz se pega interessado em outra mulher. O livro poderia ser dividido em 4 partes.
1ª parte (Cap. I – XXVIII): os poemas que narram o estado do eu lírico e os poemas de louvor.
2ª parte (Cap. XXIX - XXXV): a morte de Beatriz e o sofrimento de Dante.
3ª parte (Cap. XXXVI – XXXVIII): o amor por outra mulher.
4ª parte (Cap. XXXIX – XLII): o retorno ao amor por Beatriz.
Dante foi um autor clássico trovadorista em fase de transição para o humanismo.